Sexy and I know it

Padrão

Eu adoro esse clipe do LMFAO e as várias leituras subversivas que ele possibilita.

01) As sociedades ocidentais se baseiam numa série de binários. Natureza x cultura, corpo x mente, razão x emoção, masculino x feminino. No binário corpo x mente, a mente é relacionada à masculinidade e o corpo à feminilidade. Considera-se que a mulher seja o corpo, o corpo feminino é o próprio sexo. No entanto, taí esse novo homem, dizendo: “girl, look at that body”. E sentindo prazer com isso: “when I walk in the spot, this is what I see. Everybody stopping and starring at me”.

02) Eles dançam e se movimentam de maneira que é comum às mulheres fazerem nos clipes. E o humor vem dessa quebra de expectativa, dessa inversão de papéis — afinal, uma mulher fazendo isso é comum, é normal, é o que já está socialmente estabelecido como sexy. Mas quando um homem faz a mesma coisa, aí é engraçado, incômodo.

03) As mulheres, nesse clipe, são o sujeito que olha. “Female gaze” em vez de “male gaze”.

04) O falo (ereto) desde os gregos é símbolo de patriarcado, poder, dominação, etc. Mas aqui, o cara se sente fodão chacoalhando o seu pau mole. Olha isso, Ana Carolina.

05) Os machões musculosos do clipe (que simbolizam a masculinidade hegemônica, tradicional) no começo olham para os magrelos do LMFAO (masculinidades subordinadas) com desdém. Mas depois vão lá e entram na dança também. Sentindo-se ameaçados, resolvem competir. Mas, competindo, igualam-se aos outros, já que a dancinha foi o subordinado quem inventou. E aí o clipe termina com os homens todos juntos, se divertindo ao se exibir, rebolar, dar piscadinhas.

06) O mais incrível é o quanto isso é vendável. Tá aí, bombando. É lógico que ainda existe a posição tradicional. É só ver os comentaristas do you tube, falando: “que bicha” (mesmo os caras do clipe mostrando claramente que o querem é um olhar feminino). Mas o simples fato de que um clipe como este pode ser feito hoje, dentro de um esquema absolutamente comercial e mainstream, mostra que estamos avançando. Mesmo que a intenção seja ser irônico e engraçaralho, a mensagem tá aí. E um clipe desse só pode ser produzido hoje graças às teclas em que a gente vem batendo. Eu acho.

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6 responses »

  1. curti demais o clip e mais ainda seu post!
    Que bom que estah de volta! No seu domain anterior agora tem uma online store 😛

    • Eu vi, Jux. Pq alguem ia querer usar um nome tao incomum quanto marjorie rodrigues pra fazer uma loja, foge a minha compreensao.

  2. Oi, Marjorie!! Uff, que bom que encontrei teu novo blog! Adoro o que você escreve!
    Uma pergunta: você acha que esse novo homem existe e taí mesmo, com força?
    Beijos!
    DRI

    • Oi, Dri!

      Acho que esse homem sempre existiu, mesmo que somente em possibilidade. Sempre existiram diversas masculinidades. A questao eh que estabelece-se um padrao do que eh homem de verdade, macho, com H… Enhfim, como o homem deve ser para continuar no poder. Esse padrao vira a medida na qual todos os homens tem de tentar se enquadrar.

      Ai os movs feminista e LGBTT, assim como a academia (com a Butler, R. W Connell, etc) quebram com isso, tornando visiveis essas outras masculinidades. Ai eu acho que eh gracas a esses discursos que, hoje, um clipe como o do LMFAO pode vir e brincar com isso.

      Falei demais? Hahaha
      bjs

      • Ah, Marj, já disse q adoro o q vc escreve. Fala, faaaaalaaaa!!!! =)

        Concordo, sempre existiram diversas formas de agir tanto na masculinidade quanto na feminilidade. Sempre me pareceu que para as mulheres é mais fácil transitar pelas diversas possibilidades em parte por nao ter uma visibilidade tão marcante quanto a dos homens na nossa sociedade. Talvez essa minha impressão possa casar com a sua colocação de que o surgimento de um “novo” homem esteja se tornando possível à medida em é dada visibilidade a outras formas de agir/pensar/se comportar na masculinidade. Que achas?
        Beijos e sorte por aí!
        Seguirei te acompanhando no blog.
        DRI

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