Xuxa, Natascha e a babaquice nossa de cada dia

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Dizem que as redes sociais fazem parecer que a vida de todo mundo é perfeita (afinal, escolhemos apenas o melhor da gente para mostrar). Mas, olha, quando estoura uma polemiquinha, o efeito é o contrário: tenho a impressão de que há uma quantidade grande de pessoas com uma existência pra lá de miserável. 

Porque, veja bem. A Xuxa é mesmo uma figura meio estranha. Não há dúvidas de que o tempo dela já passou. Difícil se identificar com a aparente síndrome de Peter Pan, o sorriso forçado, a voz de tatibitate. Como simpatizar com alguém que diz ver duendes, chama caps lock de jeitinho e passeia pelo shopping com o cachorro dentro de um carrinho de bebê? Xuxa é daquelas celebridades decadentes que viram caricaturas de si mesmas. Mas, porém, contudo, todavia: por menos identificação que eu tenha com a Xuxa, tenho uma vida, né? Não vou perder meu tempo me preocupando, antipatizando ou vociferando contra ela. Como tenho uma vida pra viver, a Xuxa como pessoa é algo que me importa picas.

Então, esse mundaréu de gente com existências miseráveis, em vez de aproveitar a ocasião para debater a bola que foi levantada (no caso, o abuso sexual infantil, que é SIM uma problema muito disseminado*), passa a focar na Xuxa-como-pessoa. Algo que devia lhes importar picas. E aí começa o show de abobrinhas:

“Por que ela só foi falar disso agora?”
Desde quando denúncia de estupro tem prazo de validade? E por que deveria ter? Se existe um prazo de validade, depois de que idade não se pode falar mais nada? 25, 30, 40? Por que uma pessoa estuprada não pode contar o que lhe aconteceu depois de velha? Denunciar um estupro só tem valor se for para prender o estuprador?

Deixa eu falar um negocinho: diferentes pessoas lidam com diferentes situações de forma diferente. De repente, justamente por estar decadente, Xuxa só se sentiu confortável para falar disso publicamente agora. Ou só lida melhor com isso (a ponto de conseguir tocar no assunto) agora. Sei lá. Sei lá por que ela não quis contar isso antes. E sei lá por que ela resolveu contar isso em rede nacional. Os motivos da Xuxa são dela, e não nos concernem. Tô cagando mesmo. E, em estando a cagar, não vou julgar se é certo ou errado falar disso na televisão em vez de falar no divã. Aliás, nem sei se ela já falou disso no divã. E se ela decidiu no divã que seria bom falar na TV? As pessoas fazem coisas por motivos que são delas e atribuem significados (que são todos delas) ao que fazem.

As feministas da segunda onda tinham como lema a frase “o pessoal é político”. O objetivo era quebrar a dicotomia público x privado, encorajando as mulheres a contar o que lhes acontecia na esfera doméstica/privada/pessoal. Assim, elas percebiam que muitas de suas experiências não eram únicas, mas sim coletivas. Por isso é importante que as pessoas falem publicamente de estupro, violência doméstica, divisão do trabalho doméstico, etc etc. Para que vejam que são fenômenos sociais, e não algo que acontece apenas na casa delas. Na terceira onda feminista, o lema continua, principalmente na literatura, focada nas autobiografias. Durante a entrevista, Xuxa diz que resolveu contar do seu abuso exatamente com esse objetivo: para que as pessoas percebessem que o abuso infantil é comum, e que é preciso lutar contra ele. A Xuxa é feminista? Não, e também pouco me importa quem “merece” carteirinha do clubinho ou não. Só sei que a atitude dela está totalmente alinhada com esse raciocínio introduzido pelas feministas. E, por isso, acho totalmente válido se expor em rede nacional.

“Acho que ela está mentindo. Primeiro ela diz que não sabe quem foi, depois que foram o namorado da avó, um amigo do pai e um professor”
De novo, pouco me importa se é mentira ou não. Se a Xuxa mentiu, só ela sabe por que fez isso. O que importa é que o depoimento, verdadeiro ou não, chamou a atenção para a questão do abuso infantil. Por isso, Pedro Bó, o foco da discussão devia ser ESSE. Se ela mentiu ou não, e daí? Você nunca vai descobrir e ficar gritando aos quatro ventos (virtuais) que ela é uma vaca mentirosa não ajuda em nada.

“Ela só está fazendo isso pra se promover! Ou pra dar audiência pro Fantástico!”
É lógico que um programa de televisão que coloca gente famosa pra contar coisas pessoais, com uma musiquinha de fundo emotiva e close nos olhos, quer mais é alavancar audiência. PARABÉNS POR DESCOBRIR O BRASIL. Está mais do que claro o que o Fantástico, ou a Globo, ganham com isso.

Porém, pensa com a tia: o que a Xuxa ganha se colocando no lugar de vítima de um crime horroroso? Desculpaí, mas não é nada cool ser vítima de estupro/pedofilia. Não é um rótulo que eu acho que as pessoas *queiram*. Tipo: “Olá, prazer, sou vítima de estupro. Tudo bem?”.

Vocês acham mesmo que a Xuxa vai conseguir, sei lá, um horário melhor pro seu programa na Globo porque se disse vítima de estupro? Ou que as crianças vão começar a pedir loucamente para os pais comprarem seus discos? A única coisa que ela ganha é uma atenção momentânea e NEGATIVA. Não consigo ver nenhum ganho profissional.

Negativa porque a primeira coisa que pessoas babacas fazem quando o assunto é estupro é começar a julgar a mulher (para, assim, passar a mão na cabeça do estuprador). Tipo: “Mas será que foi estuprada mesmo?”, “Será que ela não pediu?”, “Será que ela não tá querendo queimar o cara?”. Começa-se todo um escrutínio do comportamento da mulher. Afinal, sabe como é, só são estupradas mesmo as santinhas. As “putas” nunca o são: as “putas” pedem, as “putas” querem. E tudo o mais que a gente diz na Marcha das Vadias. Ao dizer-se vítima de estupro no Fantástico, Xuxa submete-se a esse tipo de escrutínio abjeto e incômodo, que infelizmente é inevitável na nossa sociedade tão machista. E aí eu pergunto: o que alguém ganha em se colocar na berlinda assim? Cês acham mesmo que isso aí é vantagem?

“Uau, héin. Belo trauma. A pessoa é abusada quando criança e depois faz um filme erótico com um menino. Hipócrita!”

A minha aposta (só aposta mesmo) é que a maioria das pessoas que falam isso nunca assistiram a “Amor, Estranho Amor”. Eu nunca assiti, não faço a menor ideia do enredo. A única coisa que sei, de ouvir falar, é que a Xuxa contracena nua com um garoto. Não sou medida de nada, mas enfim, isso não importa. O que importa mesmo é a escrotidão das pessoas em querer ditar como uma vítima de estupro deve ser e agir. As pessoas acham que uma vítima de estupro não pode ter sexualidade depois. Não pode usar roupa provocante, não pode fazer filme erótico, não pode tirar foto pelada, não pode ter namorado e vida sexual ativa, nada. Tem que ser eternamente traumatizada e travada, eternamente marcada pela violação.

De novo: diferentes pessoas lidam de forma diferente com experiências diferentes e dão significados diferentes para tais experiências. Existem vítimas de estupro que também estupram, vítimas de tráfico de pessoas que depois ajudam seus algozes a traficar. Nem toda vítima de estupro fica travada sexualmente para o resto da vida — e ainda bem que não é assim.

Existe um texto que me fizeram ler aqui no mestrado, chama “Wounded Attachments”, da Wendy Brown. Mudou tanto a minha vida que eu já perdi a conta de quantas vezes o reli. Basicamente, Wendy critica o discurso feminista mais mainstream, que usa o histórico de opressão contra as mulheres para justificar a existência do movimento. E aí ela diz que não quer um movimento que fique apenas batendo na tecla de que a opressão existe, um movimento com uma concepção negativa de liberdade (“quero ser liberta de”), mas sim um movimento com uma concepção positiva (“quero ser livre para”). Isso não é negar que a opressão exista, mas sim não deixar que a opressão defina quem você é. Porque assim você é uma vítima eterna, definida pelo que fazem a você. E não pelo que você faz ou pode fazer. E nossa, eu achei isso o máximo. Então, taí: existem vítimas de estupro que  encaram isso como algo que as marca para o resto da vida, algo que prejudica sua sexualidade, algo que faz parte do que elas são. E oquei, acontece (longe de mim, pelo amor de deus, dizer que essa forma de lidar com as coisas é pior). A questão é que essa não é a única maneira possível de lidar com isso. Existem também vítimas que não definem sua vida como antes do estupro e depois do estupro. O foda das pessoas é que elas estabelecem a primeira reação como padrão. É assim que uma vítima de verdade  deve ser e se portar. E se não for assim, ou ela está mentindo ou há algo de errado com ela.

Recomendo muito “3096 dias”, o livro de Natascha Kampusch, a austríaca que foi sequestrada quando criança e só conseguiu se libertar aos 18 anos. Ela passa boa parte do livro refletindo exatamente sobre isso. Como se recusou a classificar seu sequestrador como um simples “monstro” (preferindo falar dele como um ser humano sádico e perturbado, mas ainda assim um ser humano, com qualidades e defeitos) e também se recusou a falar de si como uma pobrezinha eternamente marcada, Natascha logo começou a ser atacada pela imprensa, que a acusou de ter síndrome de estocolmo. A Eliane Brum, que eu amo de paixão, tem uma ótima resenha do livro (LEIÃO). Aí a Natascha vai lá e diz: síndrome de estocolmo é o seu fiofó, a sociedade é que se sente incomodada com uma narrativa que fuja ao padrão do monstro e da coitadinha. Afinal uma narrativa com mais nuances nos obriga a ver que fabricamos os monstros, queeles são parte da sociedade, e que as mulheres não são apenas coitadinhas, elas também podem ser fortes. Natascha se recusa a enxergar-se como vítima o tempo todo, em sua relação com o sequestrador. Ela reconhece que tinha, sim, uma margem de autonomia para conseguir o que queria no dia-a-dia. E essa é uma tecla em que têm batido a Wendy Brown, a Elizabeth Grozs e outras feministas que tenho lido: só porque algumas pessoas têm menos poder, não significa que elas não tenham poder nenhum. Foucault na veia, etc.

Então, no fim, é isso: acho que as pessoas definem essa norma de comportamento pra vítima justamente pelo significado social que tem o estupro. O estupro é um instrumento da sociedade patriarcal pra subjugar as mulheres. Logo, uma vítima que não demonstre ser eternamente marcada por isso, que não fique eternamente traumatizada, que não se sinta eternamente subjugada, uma vítima que se reergue e vive sua sexualidade mesmo assim, ela é uma ameaça à ordem mesma que o estupro visa a reforçar. Porque se a vítima toca a bola pra frente e vive, então o estupro parece inócuo como ferramenta. É por isso que existe essa patrulha. Faço sentido?

*Meu primeiro estágio em jornalismo foi numa revista para grávidas e pais de crianças pequenas. Por isso, criei alertas no Google com as palavras “criança” e “bebê”. Assim, achei que pegaria boa parte das matérias dos nossos concorrentes (coisas inofensivas, como tirar o bebê das fraldas, melhores marcas de chupeta e por aí vai). Ledo engano: o que eu recebia todo dia eram dezenas de notícias sobre bebês e crianças molestados, violentados, espancados e mortos Brasil afora. Uma notícia mais escabrosa que a outra. Desde então, recomendo pra todo mundo fazer esse alerta, só para se ter uma idéia de como o abuso contra crianças é endêmico.

PS –– Aliás, a mesma gente com existência miserável ficou falando mal da Carolina Dieckmann, né. “Essa vaca fica de biscatagem e agora quer fechar o Google?”. Ou:  “Quem mandou tirar foto pelada? Ainda mais sabendo que é famosa?”. Juro que não consigo entender essa lógica de que, só porque a pessoa é famosa, não pode mais brincar de tirar foto pelada DENTRO DE CASA e mantê-las no computador DE CASA. Entendo menos ainda quem acha que errado não é quem roubou as fotos, mas ela por “fazer sacanagem”.  Quem nunca tirou uma fotinho dessas na vida? Vida sexual pobre a de vocês, héin.

Também não vejo nada de errado em pedir ao Google que retire das buscas fotos que foram obtidas de forma ilícita. Ela não quer tirar a foto do seu HD. Quer apenas que o ladrão seja punido e que o Google cumpra suas políticas — razoável, não? Mas sabe como é, parece que pra esse povo, mulher que não é “santa” tem mais é que se foder. Fez sexo ou algo de cunho sexual? Então seja roubada e não reclame.  A Panicat tem mais é que se foder, Carolina tem mais é que se foder, Geisy tem mais é que se foder, Xuxa tem mais é que se foder…

[update] Amei o texto da Cristiane Segatto, da Época (embora discorde que a entrevista foi jornalismo de primeira): “[à época do filme] Xuxa tinha 16 anos. O menino, 12. Quem abusou de quem? Eram duas crianças abusadas pelo mercado, pela família, pela sociedade, pelo sistema, pelo que queiram. Mas é sempre mais fácil culpar a mulher, não é mesmo?”  Taí. Se tem algo que me incomoda nesses comentários todos é que eles assumem que a Xuxa foi a única a corromper o menino. E o roteirista, o diretor, os câmeras, os pais do menino (que certamente autorizaram sua participação no filme)? Todos eles abusaram do garoto também. Mas, como bem reconhece a Cristiane, é sempre, sempre mais fácil jogar a culpa na mulher.

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74 responses »

  1. Pingback: Pedofilia e estupro de vulnerável – delimitando conceitos

  2. Eu mesma fui uma das pessoas a se adiantar no julgamento desse caso. Realmente, não tem importância se ela está mentindo ou não, não faria muita diferença. No fim, todos a julgariam da mesma forma: questionando sua experiência e seu sofrimento.

    Esse é um dos grandes motivos pelos quais as vítimas não contam o que aconteceu com ela. Por que a sociedade vai apontar o dedo, duvidar de você, fazer piada, te culpar… Embora algumas vítimas sejam inspiradas por sua coragem ao admitir o abuso, outras vão se sentir desencorajadas com medo de receberem o mesmo tipo de resposta: zombaria e descrença.

    Devemos reconhecer a nossa babaquice de cada dia, nosso vício de desacreditar e culpar quem não tem culpa alguma e exercitar um pouco da nossa humanidade, independente de com quem for.

    • Adorei seu comentário! Assino embaixo. Acho que tudo pode ser resumido a isso, né: abuso de criança não é piada. Não é algo pra se zombar. bjs

      • Gostei muito do seu texto. Ele é lúcido e consistente. Quase. Não gostei porém da abertura, do julgamento. Meio que enfraquece a excelência das tuas palavras. Que tempo é esse que já passou? Muito careta essa lógica.

      • Ah, Imara, eu acho mesmo que gente que fica se preocupando muito com artista e/ou trollando na internet deve ter uma vidinha muito da sem graça. Porque, né, quando vc tem coisas legais pra fazer, não sobra tempo pra esse tipo de coisa 😉

  3. é interessante que eu nunca tive essa visão vitimista do feminismo, sempre achei que narrar as tais historias de horror não era para a gente, era importante pra alertar quem não vê razão do feminismo existir. a minha visão sempre foi essa positiva, de oque fazer para mudar. tipo a mulher que se recusa a continuar sendo empregada do marido e toma uma atitude, a mulher que deixa de aceitar abusos e agressividade, a mulher que deixa de ter vergonha de ir à praia e aprende a lidar melhor com os xingamentos, etc.

    mas nunca consegui enxergar essa postura no que diz respeito ao estupro. vc lançou uma ideia nova pra mim: “uma vítima que não demonstre ser eternamente marcada por isso, que não fique eternamente traumatizada, que não se sinta eternamente subjugada, uma vítima que apesar se reergue e vive sua sexualidade mesmo assim, ela é uma ameaça à ordem mesma que o estupro visa a reforçar. Faço sentido?”. preciso digerir isso. realmente faz sentido se a premissa do estupro for apenas reprimir a sexualidade da mulher estuprada. mas não tenho certeza disso. sei que reprime, pq mulheres deixam de viver plenamente com medo do estupro. mas e a vítima? a ideia de que a vítima deveria se recuperar facilmente não banaliza a agressão q ela sofreu? tipo, não é importante que fique claro que é algo muito sério, que não é um simples furto?

    • Oi, Alice!

      Também acho que falar das violências e abusos é superimportante. Por conta do “pessoal é político” mesmo. Só que comecei a discordar disso, da resposta pra pergunta “por que o feminismo existe?” ser “por causa dessas histórias de horror”. Porque aí a gente se define a partir da ferida, e a ferida passa a ser pré-condição pra própria existência do movimento. E aí você eterniza a sua posição de vítima, você coloca a figura da vítima como central. Enfim. Eu explico mal demais essas coisas, e acho que é fácil ser mal interpretada. Então recomendo muitão o artigo da Wendy Brown porque ela fala disso lindamente. Não sei se tem tradução, mas olha. É foda =)

      Sobre a 2a parte do comentário: “a ideia de que a vítima deveria se recuperar facilmente não banaliza a agressão q ela sofreu?” Então, não acho que a vítima *deva* se recuperar rápida ou facilmente. Porque se eu achar que *deve* fazer assim ou assado, estou estabelecendo um padrão, estou cagando regra, estou fazendo a mesma coisa que as pessoas em geral fazem ao dizer que a vítima *deve* ficar traumatizada para sempre.

      Eu só acho que deve-se reconhecer que as pessoas reagem de maneiras diversas quando algo ruim acontece com elas. E que não tem maneira “certa” de reagir. Não tem nada de errado em ser uma das pessoas que ficam bastante marcadas por um estupro. O problema é a sociedade esperar que todo mundo reaja da mesma maneira. E é essa expectativa que eu acho estranha. Acho que a sociedade se incomoda com quem reage “””””bem””””” (muitas aspas aí) justamente porque pessoas assim desestabilizam o estupro como ferramenta de subjugação. Sei lá, é mais uma sugestão mesmo. Uma das interpretações possíveis.

      bjs

  4. Eu não tenho uma vida miserável e acho que no momento que alguém de vida pública vai para a tv falar qualquer coisa vai ter que aguentar as repercussões do que disser.
    Não achei sério o depoimento da Xuxa da forma como foi feito,com aquela edição babaca,misturada com duendes e pedidos de casamento do Michael Jackson e a viúvice do Sena que nunca existiu.
    O fato dela ter feito cenas de sexo com um menino de 13 anos foi impróprio mesmo e sempre será.
    Acho sim que falar sobre um assunto 40 anos depois do que ocorreu não vai mudar em nada o rumo da vida dela nem de ninguém,que abuso sexual infantil é coisa séria e não deveria ser tratada como forma de alavancar audiência.
    Achei uma crueldade sem tamanho ela falar mal do pai,que hoje está com 86 anos,e até mesmo de forma dúbia lançando uma dúvida sobre ele;
    Todo o depoimento dela serviu pra se falar sobre abuso infantil????como assim?se fala nisso há anos!
    Xuxa não fez o que fez para conseguir um novo programa de tv,fez para chamar os holofotes sobre ela,para ser o centro das atenções,,,
    Esse depoimento poderia ser dado de outra forma sem estar atrelado ao sensacionalismo barato e o fato de pensar assim e dizer isso nas redes sociais não faz de mim uma pessoa com vida miserável,não preciso ser politicamente correta o tempo todo para ser considerada uma pessoa ‘Descolada”.

    • Claudia,

      Nossa, não sabia que você era assim tão próxima à Xuxa a ponto de saber que…

      1) falar sobre o ocorrido agora não vai mudar a vida dela: como é que você sabe os efeitos que a concessão da entrevista teve sobre a psique da Xuxa?
      2) que a verdadeira motivação dela é conseguir um novo programa de TV e ser o centro das atenções: Vc entrou na cabeça dela?
      3) Que o que ela conta sobre Senna e o Michael Jackson são coisas que nunca existiram: Vc verificou como? Rolou uma psicografia pra checar as infos com o Senna e o Michael?
      4) que o pai dela ficou ofendido: Tu tem o telefone do Seu Meneghel? Por que vc tá tomando as dores dele?

      Resumindo, como vc tem acesso a todas essas informações, gata? Simples. Não tem. É tudo especulação. Não sei se a sua existência é miserável ou não, não te conheço. Só lamento você gastar o seu tempo especulando sobre a Xuxa, seu pai, etc, com tantas outras coisas legais que há para fazer.

      Eu também achei a entrevista forçada em muitos pontos, a edição é um cocô (como todo o Fantástico o é). Também não sei se tudo o que ela diz é verdade ou não. Provavelmente, não. Mas, como eu tenho mais o que fazer, tô me lixando pro que é verdade ou não. A única coisa de proveitosa que pode ser tirada dessa entrevista é um debate sobre abuso infantil. Foi isso o que eu disse. Então obrigada por ilustrar meu argumento de que as pessoas estão focando na vida pessoal da Xuxa, demonizando o que ela fez ou deixa de fazer, em vez de falar sobre abuso, que é bem mais importante.

      Pra terminar, adorei sua postura de dona da verdade e dos tempos: “será impróprio e sempre será”. Eu não vi o filme, então não tenho como opinar. Mas acho engraçado você falar que “sempre será” — afinal muita coisa que já foi considerada imprópria antes, hoje não é mais (e vice-versa).

      Outra coisa que eu adoro é a SÍNDROME DO PEQUENO PODER: “vc é famoso, então vai ter que aguentar o que eu disser”. Olha, infelizmente, as únicas pessoas que têm que aguentar esse mimimi somos nós. A Xuxa mesmo provavelmente não irá ler o que vc escreve no seu facebook. Ela deve estar nesse exato momento curtindo uma brisa numa nice com os seus duendes.

      • Olá Marjorie. Desculpe, mas todas caímos em incoerências. A única que descordou de ti foi questionada sobre se conhecia bem a Xuxa. Bem e você a conhece? Afinal, afirmou que ela não é feminista. Também não participei desse debate, nem estou aqui defendendo a Xuxa ou seus críticos, mas agora resolvi escrever essa resposta por ter lido a forma como lidou com uma resposta diferente da tua opinião. Marjorie, realmente o foco mais importante foi esquecido com toda essa confusão, o abuso das nossas crianças e adolescentes. No meu leigo entendimento isso ocorreu pelo circo armado para divulgar um fato tão sério e sim, fenômeno social, não estudado e pouco compreendido por cientistas e educadores. Não importa que celebridade foi, importa o fato em si. Pena que a direção do quadro não mediu as consequências disso quando dirigiu uma pessoa famosa daquela forma, fazendo caras e bocas e deixando vários momentos dúbios, abrindo margem para dúvidas e chacotas, risco que correm todos os famosos que se expõem dessa maneira, sendo a causa nobre ou mais ou menos. Mas de tudo que li, parabéns pelo texto e argumentos, de todos que li, o menos apaixonado e o mais coerente . Oxalá, continuemos enfrentando a violência doméstica em toda sua extensão.

      • (desculpe o teclado sem acentos)

        Oi, Mara!

        concordo com o seu comentario. Nao acho que a entrevista do fantastico seja a melhor maneira de se chamar atencao pra esse problema. Afinal, o grande objetivo do quadro nao era conscientizar ninguem, mas obter audiencia e soh. Mas a intencao da Xuxa ao contar do seu abuso, segundo ela, era de chamar atencao pra isso (embora a exposicao possa ter outras motivacoes pra ela, motivacoes essas que a gente nunca vai saber, porque sao dela). E contar uma historia de horror pessoal, a fim de chamar atencao pra um problema social, pra mim eh algo super valido. Soh isso que eu acho mesmo. Entao, pra mim, mesmo com todo o sensacionalismo, mesmo com toda a forcacao de barra, a gente pode tirar um debate valido dali.

        Sobre o comentario da claudia, eu perguntei se ela conhecia a xuxa nao porque ela discordou de mim, mas porque ela fez uma serie de inferencias sobre as motivacoes pessoais da xuxa pra entrevista. Coisa que ninguem pode saber (a nao ser que a conheca ou entre na cabeca dela). E eu acho que fazer especulacoes sobre a Xuxa eh o foco errado do debate. Tambem nao a conheco, e por isso mesmo me abstenho de fazer julgamentos morais sobre a vida dela, preferindo focar mesmo no que ha de proveitoso sobre a entrevista: a meu ver, que ela leantou a bola do abuso infantil como problema endemico.

        bjs

    • Concordo com vc, e aliás… convenhamos… “politicamente correto” não é sinônimo de algo “correto”… Nunca se viu tanta inversão de valores!

  5. A propósito eu vi Amor Estranho amor e li o livro de Natacha…uma menina de coragem e força que contou tudo o que aconteceu a ela de maneira verdadeira e sincera e sem interesses dúbios no meio…

    • Então, mas a gente não sabe quais os interesses da Xuxa pra dizer se são dúbios ou não. Sabemos os interesses da Globo. Os da Xuxa, só ela sabe. O que ela disse é que a motivação era chamar atenção pros abusos como fenômeno social. E isso eu acho super válido.

  6. Apenas para constar:
    Eu assisti “Amor estranho Amor” e a Xuxa não passa de mera COADJUVANTE no filme. O menino pega nos peitinhos e vê VÁRIAS outras mulheres nuas no decorrer do filme. Aparece em umas três cenas no máximo. Duas delas são aquelas que rodam pela internet e que somadas não devem nem dar 3 minutos.

    A mãe do menino, interpretada pela Vera Fischer, é dona de um prostíbulo e todas as “empregadas” dela dão em cima do menino. Por causa de duas cenas no filme inteiro em que ela aparece, criaram um estigma absurdo como se ela tivesse abusado sexualmente do mlk. Por que não criticam, então, o roteirista, os produtores, o diretor, as outras atrizes ou mesmo os próprios PAIS do menino? Afinal, ele não poderia ter feito o filme sem a autorização por escrito e assinada por ambos os pais.

    Que cupa tem ela se anos depois de realizar o filme ela virou apresentadora de programa infantil e a produtora relançou o filme – sem autorização – colocando-a em destaque no cartaz (no original, o nome dela nem mesmo aparecia no cartaz)?

    • Uia, obrigada, nao sabia disso. Eu teria mesmo de ver o filme pra poder falar qualquer coisa. Mas desconfio mesmo que role um exagero das pessoas mesmo. Prazer de espezinhar e chamar de “puta”, etc

  7. Oi… Meio tonta. Desnorteada. Nunca vi um texto falar de forma tão direta, clara e objetiva sobre um amontoado de fatos ligados a apenas uma temática… Ser mulher.
    Ufa! Século XXI e me sinto 03 séculos atras ainda. Quando penso, reflito sobre as coisas que as crianças e mulheres ainda precisam suportar.
    Ser tudo, sem perder a feminilidade. Sem endurecer.
    Penso na Revolução Pacífica” que Ghandi implementou na Índia, culminando com a libertação do país do jugo inglês. Seu lema era algo do tipo: “Recuse-se a fazer o que eles querem. Cruze os braços e agüente as pancadas. É mais ou menos assim a luta das mulheres e dos que lutam em prol desta crianças injuriadas cotidianamente. Dizer: “Não quero mais”. E manter-se firme. Nã o tem nada mais “macho” e corajoso do que isso. E só nós, mulheres, sabemos fazer isso sem “partirmos para a ignorância”.

  8. Concordo em gênero, número e grau! Infelizmente, nãos sei se a babaquice de quem não sabe qual seria o foco principal e acaba se apegando àquilo que não importa, não acaba minando o que poderia ser muito produtivo para a discussão dos problemas reais. (Se você puder, me escreve por email pois gostaria de te falar algo de maneira privada, ok?)

  9. Muito obrigada pelo sério debate , e por fazer pensar ,, e de repente repensarmos o olhar o outro ,, não pelos nossos pré conceitos , mas sim , um olhar mais seunsibilizado e mobilizado para as verdadeiras motivações do outro .. valeu ,, você manda bem pacaraio !!! abraços !

  10. Amei seu texto, Marjorie. Como sempre, né? Sou sua fã.
    O que mais me admira é que as pessoas quando falam no tal filme colocam como se a Xuxa tivesse feito ele há uns 2 anos. Gente, ela era coadjuvante, fazia o papel de uma prostituta de 16 anos que dormia com o protagonista de 12. Nem era famosa, nem era a Xuxa. Ou seja, distorcem completamente.
    Enfim, queria te pedir que quando puder posta uns textos legais que você lê no seu mestrado. Aposto que assim como eu tem um monte de gente com vontade de ler. =)
    bjão

    • Oi, Flávia!

      A faculdade tem um site com vários textos em PDF, mas eles colocam de uma forma que não dá pra baixar. Mas tô vendo aqui se dá pra fazer alguma gambearra. Bjs

  11. Ninguem em sa conciencia zomba de uma pessoa molestada sexualmente, ainda mais, de uma crianca, tal crime, nem mesmo criminosos habituais,que cometeram crimes hediondos contra
    a vida ou patrimonio, perdoam esses delitos sexuais na prisao, tanto que, quando presos, esses meliantes covardes,tem que ficar separados dos demais, pois, se misturados aos outros presos , podem ser trucidados!!!! Sem duvida a falacia da Xuxa a respeito foi positiva, pois e uma ” pop star ” das criancas. Mas decadente financeiramente, ela nao se encontra, sua fortuna pessoal e de aproximadamente 1 BILHAO de reais, entao a decadencia nao e financeira, mas de vaidade, pois seu ego nao aceita a queda de popularidade, embora ganhe 2 milhoes de reais por mes na Globo. Com 1 milhao de reais, a metade de seu salario mensal ,poderia criar uma ONG de grande porte para proteger e educar, para servir de prevencao e educacao para apoiar ininterruptamente aos casos de agressao, da qual ela aduz ter sido vitima, isso nada custaria a sua imensa fortuna, e seria algo de concreto que demonstraria seu verdadeiro comprometimento com a causa que tan to a fez e a faz sofrer, as palavras convencem, mas so a pratica do exemplo e que arrasta!!! XUXA, patrocina o projeto da CIDA Alves em Goias(Lindo Projeto) serious e honesto, ou outros atinente, quando voces colocar a nao no seu afortunado bolso para proteger dessa causa nobre, me tornarei seu fa, ai comecarei a acreditar na sua boa fe, senao nada passara de hipocrisia e falacia!!!!! E minha opiniao continuara a mesma!!!!!

    • Entao, Eudes… Mas a Xuxa ja participa de uma campanha a respeito do abuso infantil, ate onde eu entendi. E eh essa campanha que ela cita durante a entrevista. Nao sei se ela doa dinheiro ou apenas a imagem, porque nao me interesso pela Xuxa como pessoa, entao nao corri atras dessas informacoes. To soh comentando a entrevista mesmo…

      Eh claro que existem mil outras maneiras de se chamar a atencao e combater o abuso sexual infantil, e eu NAO estou dizendo que a entrevista do fantastico seja a melhor ou mais apropriada. Soh acho que tentar chamar a atencao pra isso eh valido. Meu ponto eh que eu nao acho que caiba a nós dizer se a Xuxa (ou qualquer outra vítima de abuso) deve falar do seu abuso ou ficar calada. Eh escolha dela falar disso quando e onde quiser…

      No mais, tb nao acho que temos o “direito” de cobrar dela que gaste dinheiro assim ou assado. Porque, neh, o dinheiro eh dela. Eu nao gosto nem aceito que ninguem venha me dizer como eu devo gastar o meu dinheiro. E soh porque uma pessoa é vítima de abuso, não tem a obrigação de gastar o dinheiro dela com doações. É bacana se ela fizer isso, claro, mas não temos nenhum direito de cobrá-la. Soh tenho direito de cobrar como se gasta o dinheiro publico, infelizmente.

      bjs

      • Mas ela investe tempo e dinheiro nesse tipo de causa sim… =)
        http://www.carinhodeverdade.org.br/
        http://www.fundacaoxuxameneghel.org.br/

        Não sou fã da Xuxa, nunca fui de assistir seus programas e nunca me considerei um baixinho… Mas como interessado em cultura pop, hoje em dia acho ela interessante como uma das representantes de um momento pelo qual o Brasil (e o mundo) passaram em certo ponto, e da mesma forma que acho impossível uma única figura midiática causar o impacto que gostam de creditar a Xuxa (como se uma adolescente desse conta sozinha de sexualizar toda uma geração de crianças e adolescentes sem um um contexto social e histórico que permitissem que isso acontecesse), acho bastante comodo culpar alguém faz parte de um grupo comumente apedrejado (a mulher trabalhadora financeiramente bem sucedida que ainda se mete a agir de forma sexual :P) que demonstra (vai que tô enganado) ter dificuldade pra comunicar raciocínios mais complexos. No final das contas, Xuxa nunca foi uma intelectual, e a forma simples e ingênua como se expressa sempre foi um dos seus maiores apelos, inclusive como sex symbol.

        Adorei a análise e o blog… É sempre bom ler isso num mundo onde alguns jornalistas de grandes veículos disseram que Xuxa devia ter abafado o caso e tratado isso apenas com o terapeuta dela… Afinal, não é pelo excesso de abafar o caso que é tão difícil combater esse tipo de crime?

  12. Bacaninha o seu texto, mas ao analisar as opiniões sobre o assunto vc as leva ao estereótipo para depois refutá-las. Veja só, a questão da “hipocrisia” da Xuxa é a seguinte: como é que alguém, alegadamente vítima de abuso sexual faz uma cena de um filme em que ela é a corruptora? Tudo bem, vc diz que é o seu “jeito de lidar com o trauma”, mas isso denota uma personalidade um tanto perturbada, não acha? Quanto a Carolina, o que irrita é a sua súbita mudança (até mesmo visual, de terninho e coque, com pouca maquiagem) para incorporar o papel da “vítima”…

    • Paulo,

      Como a Xuxa conseguiu fazer a cena, como ela se sentiu, por que resolveu fazer, eu não sei. Isso é lá com ela. E também não acho que, a partir apenas disso, seja possível a qualquer um de nós (que não somos psicólogos, e não estamos tratando a Xuxa) afirmar categoricamente que a personalidade dela é “perturbada”. Só um profissional pode avaliar isso. Logo, qual a serventia do público leigo ficar dando uma de psicólogo da Xuxa? A meu ver, nenhuma, primeiro porque jamais teremos um diagnóstico preciso. Segundo, porque não poderemos resolver as supostas perturbações dela.

      Sabe qual a única serventia da galera apontar que a Xuxa é “perturbada”? É que, quando as pessoas fazem isso, elas se sentem superiores. Tipo: bóra jogar pedra na Geni, pra marcar que eu sou diferente da Geni. Mas, né. MUITO FÁCIL se sentir superior a uma pessoa que fala em tatibitate e diz ver duendes, sabe? Tirar sarro da Xuxa, pra mim, é chutar cachorro morto.

      Sobre a Carolina: ela não está incorporando o papel de vítima. Ela É vítima. O computador dela foi hackeado e ela sofreu chantagens — logo, a posição de vítima dela é indiscutível, não importa o que ela vista.

      O que você queria? Que ela desse entrevista ao Jornal Nacional de calcinha e sutiã? Desculpa, mas pra mim vc tá fazendo a velha separação das mulheres entre “santas” e “putas”. Só a “santa” pode ser vitima. Como Carolina tirou foto de calcinha, é “puta”. E, sendo puta, não pode usar terninho (roupa de “santa”). AH, VÁ. As mulheres vestem o que elas quiserem, não é a roupa e a maquiagem que torna alguém vitima ou não.

  13. Nunca me importei com a Xuxa. Só assistia ao programa dela por causa dos desenhos animados. Parabéns pelo ótimo texto.

  14. Mérito da porra o de fazer pensar desse texto. Abriu o debate e não fechou. Dizer que o foco mesmo deveria ser a questão do abuso e demonstrar que as reações escondem toneladas de machismo foi interessante. Imaginem, sei lá, o casal Cauã e Grazi, indo a público agora e dizendo que ambos sofreram o mesmo tipo de abuso… parece que as pedras jogadas seriam mais leves e o foco não seria tanto nas pessoas. Mas eu penso no seguinte: seria desejável que pudessemos separar a Marca/Imagem/Produto Xuxa do que foi dito – do problema que importa – mas será que é possível?

  15. Mas que isso: será que é desejável mesmo que seja separado as motivações da Xuxa, seus possíveis efeitos da bandeira levantada? Talvez seja um pacote só (e muito complicado) e tanto você como quem você critica apenas estaja tentando reduzir algo muito mais palatável para os respectivos gostos. Abs.

    • Pois é, Anderson, se a celebridade fosse outra, acho que o apedrejamento seria menor, sim. Porque a Xuxa é uma figura controversa, cheia de estranhices, é tipo o Michael Jackson. As pessoas não se identificam com ela, mas sim gostam de rir e se diferenciar dela. Mas, o machismo é tanto que acho que, se a Grazi viesse com um depoimento desses, embora despertasse mais simpatia, COM CERTEZA haveria gente duvidando dela, citando que ela já foi BBB, que posou nua, fez cena de sexo, etc.

      Concordo que seja difícil separar a marca Xuxa do depoimento. Nem precisa separar 100%, sabe. Mas o que eu vejo é o pessoal nem aí pra questão do abuso, só focando na Xuxa mesmo (que ela tem passado negro, que é puta, que é hipócrita, etc).

      bjs

  16. Concordo 100% com o que você disse. Nunca fui fã da Xuxa mas fiquei pasma com a falta de compaixão das pessoas com ela na internet, inclusive algumas pessoas que eu considerava inteligentes repisando o assunto porque acham a Xuxa uma pessoa equivocada – uma informação irrelevante diante da tragédia do abuso sexual infantil. Se com toda a bagagem cultural que essas pessoas têm, elas não conseguiram distinguir o que realmente era notícia na entrevista da Xuxa, então por que condenar o intelecto de uma mulher que veio de uma família humilde, teve uma educação fraca e passou grande parte da vida adulta como megacelebridade, isolada da vida normal, com o agravante da confusão psicológica por ter sido vítima de abuso sexual na infância?

  17. como vc diz ter mais o que preocupar deixa a XUXA, declarar o que quizer pois a vd continua….
    pq essa polemica td? pq não focar nos polidicos safados em vez de ficar julgando pessoa que não esta fazendo mal pra ninguem?canseiraaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!

  18. Marjorie querida:

    Eu já estou velha e estou cheia de travas que me levam a avaliações equivocadas. Adorei a sua análise dessa situação. Em me perguntava tudo isso e não encontrava respostas adequadas para isso e não queria acreditar no que estavam dizendo. A sua análise me respondeu e me ajudou. E muito. Em tudo na minha vida, mas principalmente no meu pensar. Muito obrigada.

  19. Não tô entendendo para que lado vc quer ir… Primeiro, as feministas querem ficar peladas, mostrar a bunda a hora que quiserem, transar com quem quiserem??? Existe estupro nesse país por causa da IMPUNIDADE, PURA E SIMPLESMENTE. E não é só com mulher! MENINOS também sofrem abuso!

    ‘Bora parar de pensar só na caixinha, essa época já passou. ‘Bora deixar esse papo de feminista e pensar em humanidade, em direitos humanos, e aí sim, melhorar as coisas para as mulheres, que ainda são a minoria, só que levantando bandeira bacana, não me venha citar Geisy Arruda porque aí vc perde a razão. Deixa a Geisy mostrar a bunda dela lá, porque ela quer, só que eu não vou mostrar a minha por aí, pra ser feminista. Uma coisa é uma coisa!!!!

    ,

    • Vai aprender o que é feminismo, depois volta. Porque, né, não dá pra explicar TUDO assim do zero pra você. Beijo.

  20. Xuxa quer se posicionar como baluarte do movimento contra o abuso infantil. É isso o que ela ganha com este depoimento. Só acho que ela não tem credibilidade para isso pela forma com renega o próprio passado profissional (finge não existir). Nem acho que uma pessoa que passou a vida incitando a sexualização precoce de crianças (me refiro aos programas infantis) seja a mais indicada para esta luta. Não que a sexualização precoce seja um problema, o problema é a existência da pedofilia. A sexualização precoce “apenas” expõe as crianças a um risco maior que o necessário. Dado o problema, algumas precauções são necessárias.
    Correndo o risco de parecer moralista (mas juro que não é este o viés), acho que a Xuxa não é um bom exemplo. Sempre valorizou muito mais corpo e beleza que conteúdo e isso é um tiro no pé para um sociedade que pretenda valorizar a mulher. De fato, a vida dela não me diz respeito chongas, mas ela como exemplo para uma geração, isso sim me incomoda.
    Colocar o abuso infantil no centro das atenções realmente é bacana. Só me preocupa o fato do Brasil depender da vontade da Globo para debater qualquer assunto de relevância social. Até porque esta vontade se presta tanto a interesses coletivos (embora de escolha muito subjetiva) quanto particulares.

    • Oi, Hugo!

      Não entendi o que uma coisa a ver com a outra… Por que a Xuxa não pode querer ser referência midiática (midiática apenas, porque referências acadêmicas/ativistas já temos outras, bem melhores) no combate ao abuso infantil enquanto não assumir que posou nua e fez um filme erótico? A carreira inicial dela não têm nada a ver com a campanha contra o abuso. Pelo contrário. O que permite que a Xuxa almeje ser referência nisso é a carreira que ela construiu depois, como apresentadora infantil. Ela é famosa o suficiente para chamar atenção pra isso.

      Acho que ela se recusa a falar do passado (aliás, né, bóra parar de falar como se assuntos de carreira fossem decididos só por ela. Se ela não fala do passado, com certeza é porque tá assessorada pra não falar. Certamente isso não é decisão só dela, por vergonhinha, mas também dos seus empregadores, patrocinadores e marketeiros) JUSTAMENTE por saber que é considerada exemplo por algumas pessoas. Logo, ela deixar de fingir que o passado não existe e começar a falar dele vai mudar exatamente o quê? Não vejo por quê fazer isso, a não ser pra alimentar o desejo de alguns para que ela assuma que é “puta” e não “santa”.

      Agora, sobre ela ser responsável pela “sexualização precoce” das crianças… Sei lá, eu acho esse um argumento complicado. Tem uma série de problemas graves no programa da Xuxa. É lógico que os shortinhos curtos e as paquitas rebolativas eram usadas como atrativos. Fora a mensagem de que mulher bonita é branca e loira (oi, racismo. Não tinha uma morena no programa) e o café da manhã bem distante da realidade da maioria das crianças. Mas isso da sexualização precoce acho difícil mensurar. Como determinar essa tal precocidade? Eu acho positivo que hoje os pais possam falar de sexo com seus filhos, por exemplo, em vez de fingir que isso não existe, como no passado. E acho mais ainda: que as crianças têm sexualidade, sim. E que é preciso romper com essa tradição de ver criança como um “anjo”, completamente alheio a essas coisas. Criança tem corpo, criança reconhece o próprio corpo, tem namoradinho no pré, por mais inocente e rudimentar que isso seja. Então tem sexualidade ali, não é algo que começa apenas na puberdade.

      Eu sou da geração anos 80/90 (quando a Xuxa estava no seu auge) e não sei se me sexualizei precocemente. Acho que me saí bem, rs. Outra coisa é: a sexualização precoce é um fenômeno que rolou só no Brasil? Acho que não. Tá cheio de adolescente grávida nos EUA, por exemplo. E eles não têm nada parecido com a Xuxa. Logo, se esse fenômeno existe, a Xuxa não é o único fator responsável. Lembro do programa do Gugu com a brincadeira da banheira, das chacretes… Nossa TV é cheia de bunda, sempre foi. E criança tem acesso a isso, mesmo que os outros programas não sejam exatamente voltados para elas.

      Por fim, tb não acho que o Brasil “dependa” da vontade da Globo. Este é um debate que pode começar de diversas maneiras, e a TV é uma delas. Mas, infelizmente, não se pode negar o poder que a TV tem no Brasil. Tem muita gente por aí que tem apenas a TV como forma de acesso a entretenimento e informação. Então o uso dessa ferrmenta (ainda mais de um canal como a Globo, que praticamente monopoliza a transmissão em várias regiões) é essencial para que o debate alcance um público grande.

      bjs

      • Oi Marjorie,

        Falta credibilidade à Xuxa para ser esta referência, só isso. Essa falta de credibilidade acaba desviando o foco da campanha. Os motivos dela, se são exógenos ou não, também não deveriam importar chongas, mas se são mercadológicos, minam mais ainda a credibilidade dela. Mas é indiscutível a relevância de uma figura eminente como ela abraçando a campanha.

        Claro que a Xuxa não fez nada sozinha, nem a tal sexualização precoce. Seria absurdo afirmar isso, mas ela é o maior ícone desse “movimento”. Se estudar bem, dá até para dividir o modelo dos programas infantis em pré-Xuxa e pós-Xuxa. E, claro, ela não idealizou nada, foi apenas a ferramenta central. Concordo que as crianças já manifestam sexualização desde cedo e concordo também que informar, “furar a bolha”, é o melhor a ser feito, até para protegê-las dos abusos. Agora, informar é uma coisa, incentivar é outra bem diferente. Ainda mais quando o incentivo vem desprovido de informação. Aí é um perigo porque a criança se expõe sem conhecer os riscos.

        De fato, inclusive uma das funções dos meios de comunicação é promover estes debates. Só fico chocado com a quantidade de assuntos sociais relevantes (e já quase óbvios) que dependem de virar assunto de novela ou cair na boca de um super famoso Global para ganharem o merecido destaque.

        Sinceramente, acho que a Xuxa seria um excelente exemplo para a Marcha das Vadias. Sem ofensas. Acho que é um grande exemplo do fiz mesmo e estou no meu direito, ninguém tem nada a ver com isso. Mas o comportamento dela, infelizmente, é muito mais de ratificar a machismo inerente à sociedade que propriamente quebrar paradigmas.

      • Mas vc acha que a Xuxa incentivava criança a se interessar por sexo? Eu não me lembro de todos os detalhes do programa, claro, mas não lembro de ter isso não. Acho que só ela aparecer de shortinho curto ou cantar algo sugestivo como “vamos deixar rolar solto o que a gente quiser” não é suficiente, porque a “”””maldade””””” (muitas aspas) de ver o shortinho e uma letra dessa como convite ao sexo é algo que tá na cabeça do adulto, não da criança. Eu, por exemplo, cansei de dançar É o Tchan quando era pequena, brincando de ser Carla Perez com minha priminhas (hahaha passado negro, enfim). E eu não pescava o duplo sentido nem a conotação sexual das coreografias. Pegava lá o meu bambolê e dançava feliz. Porque eu era criança, não possuía esse código. Mesma coisa com os Mamonas Assassinas, que falavam de sexo e escatologia e eram super famosos entre as crianças. Eu cantava Mamonas Assassinas na escola sem saber de metade do que eles tavam falando.

        Isso quer dizer que não tem problema nenhum um grupo como o Tchan ou os Manonas tentar se vender pra criança? Não. Claro que tem problema. Mas acho que, na hora de discutir qual é esse problema e quais devem ser os limites, a gente tem que ter cuidado pra não assumir que criança enxerga as coisas com os mesmos olhos de um adulto. Enfim. Não tem como a criança interpretar como incentivo a algo, se esse algo ela não conhece (ok, e agora super soei como Taty Periguete, toda confusa, mas espero que vc tenha entendido!)

        Aliás, parêntese: é engraçado que o Mamonas Assassinas seja lembrado sempre com honrarias e uaus. Eu pelo menos nunca vi ninguém acusá-los de sexualização precoce das crianças. Pelo menos não da mesma forma como fazem com a Xuxa. E eu acho que isso tem a ver com o fato deles serem homens. Tem a ver com machismo. Não tinha mulher no meio dos Mamonas rebolando, eram apenas homens falando de suruba e afins. Agora, a partir do momento em que tem uma mulher (mesmo que o homem esteja falando com todas as letras e ela só sugerindo), ah aí já é um baita problema. Porque a sociedade tende a enxergar o próprio corpo feminino como sinônimo de sexo (vide a marcha das vadias e o lance do facebook, que trata como pornografia todo peito feminino, independentemente do contexto em que ele apareça — inclusive amamentando!), a mulher é o sexo em si. Por isso a Xuxa vira um puta símbolo (se não o maior símbolo) de sexualização precoce porque usava um shortinho. mas os mamonas assassinas cantando sobre suruba num palco cheio de crianças não são… Tem que ver isso aí.

        De resto, concordo com seu comentário!
        bjs

      • Pois as vestimentas fazem parte do discurso de todo mundo. É uma forma clara de posicionamento no mundo. E as crianças aprendem isso rápido. E aprendem por analogia, com o que vêem nas ruas, na TV e no discurso dos pais. De fato, a associação sexo-partes expostas do corpo é definição da nossa sociedade. Mas é claro que existem N outros fatores e seria demais “culpar” a Xuxa por tudo.
        Bom, os pedófilos muito provavelmente têm sua libido despertada por crianças vestidas de piriguete, tentando se insinuar como mulheres (ainda que não tenham nenhuma consciência do que estão fazendo). Convenhamos que isso não contribui muito para a segurança dos pequenos (que, claro, não serão jamais os culpados dessa história). Mas é um discurso perigoso, eu sei, escorrega um pouquinho e cai no moralismo. Limiar tênue.
        Os Mamonas tiveram um ano de sucesso e a morte ajudou a eternizá-los. No fundo foram só mais um produto de consumo rápido como tantos outros que vem e vão, como O Tchan, o RBD e o Michel Teló. A Xuxa tem muito mais expressão.
        Mas, concordo com seu post inicial, a Xuxa não merece toda esta atenção. Cansei da Xuxa. Let her go.

  21. Passando por aqui…. Gostei do texto e, agora, estou checando os comentários.. E simplesmente, fiquei chocada com esse último comentário da “Camila”.. Meu deusss.. Essas mulheres existem e estou rodeada delas..

  22. Gostei, o texto é bem incisivo! Acredito sim que as marcas podem ser atenuadas, como a própria Xuxa disse: ‘tive o amor da minha mãe’. Mesmo sem ter revelado. Entretanto, tenho que entrar aqui para os números dessa sociedade. Tive coragem aos 11 anos para dizer à minha ‘mãe’, mas a mesma me rejeitou. Foi bastante penoso até decidir pelo caminho mais curto(suicídio), mas não tive sucesso, por causa da lavagem ao estômago, mas fiquei 4 dias desacordada. Foi bom para a anima, retornei com um fio de força pra lutar, hoje com 29 anos, continuo tentando me guiar sozinha! Mas são acontecimentos diários, que volta e meia me jogam pro espaço vazio. Tenho ódio de não ter direito a justiça, e sentir que a ‘mãe’ foi cúmplice de uma infância que mal, me recordo, e o pouco que me lembro… A morte parece mais agradavel. Sim, a maioria dos dias são passíveis de existência, dá para se viver. Dificil é aceitar a impunidade, e saber que os mostros criados por esta sociedade continuam a fazer vítimas!

  23. Oi Marjorie. Obrigada por me responder no tópico anterior que eu perguntei sobre o vitimismo nos discursos femininas que distancia as pessoas. Tenho uma curiosidade e, se possível, gostaria de alguma orientação. Quero entender esses outdoors, na verdade, mensagens que vi propagadas em alguns sites femininas sobre orientar os meninos a “não estuprar”, não entendi pra quem a mensagem é direcionada. Fiquei pensando cá com meus botões: o violador é um desequilibrado e precisa de punição, leis severas, e não de conscientização. É igual pensar em violência…vou conscientizar o assaltante a não me assaltar? Pode parecer uma dúvida boba, peço desculpas. Mas, como você pareceu a mais educada e prestativa das femininas que encontrei na net, te escrevo e peço sua compreensão caso eu tiver falado besteira.
    Um abraço.

    • Não, nem sempre o violador é um desequilibrado. Como a Xuxa mesmo exemplifica, quantos não são estuprados por amigos, conhecidos, maridos, namorados, pais, padrastos? Confira as estatísticas de estupro. É um crime frequente mundialmente. Fosse assim, haja desequilibrio no mundo, hein!

      Estupro não tem a ver com desejo, com tesão incontrolado, desequilibrio. Tem a ver com poder, com subjugar a pessoa, corrigi-la, torná-la um objeto que vc pode usar a seu bel prazer. Mais ou menos como espancar a mulher.

      O cartaz toca na seguinte questão: vivemos numa sociedade que diz às meninas: “não se vista assim, não ande sozinha, tome cuidado com a sua bebida, não faça isso nem aquilo”. Mas e para os meninos? O que a gente diz? Nada. Só que, quanto mais ele “pegar”, mais foda ele é. Os pais não não falam para os meninos: “olha, não pode forçar a barra. Se ela falar não, é não. Não tem essa de que não é talvez. Se ela estiver bêbada ou inconsciente, também não pode”. Não. A mentalidade é: “soltem suas cabras que meu bode tá solto”. Não é? A gente fala pras meninas que alguém pode se aproveitar delas se elas agirem como “vadias”. Mas não diz para os meninos que não pode se aproveitar de ninguém. Dois pesos, duas medidas.

      bjs

  24. Aproveitando o espaço. Queria entender se não há um contrassenso na marcha das vadias. pedir respeito ficando nua e gritando “sou uma vadia”? Não é justamente o excesso de corpo feminino nu em todos os cantos que torna a mulher um objetivo sexual? Não entendi, novamente, como isso se torna conscientização. Protesto, sim, a mensagem pode ter chegado…mas conscientização, difícil. Senti isso na reação das pessoas aqui de casa. Mas, isso é protesto ou desculpa pra baderneira?Sabe, essa geração parece que não sabe distinguir liberdade de libertinagem. Bem, novamente me desculpo caso tenha usado algum termo ofensivo, estou engatinhando e com dúvidas, como vê, morais.
    Abraço
    Ana

    • Ana, o mote da marcha das vadias é dizer que, não importa o que as mulheres vistam, NADA dá a ninguém o direito de estuprá-las. Ninguém “pede” para ser estuprada. O que a marcha critica é a separação das mulheres entre “santas” e “putas”, separação esta que serve para reprimir, coibir nossa sexualidade. Logo, se ser vadia é ser livre para usar (ou não usar) o corpo como quiser, se ser vadia é ser dona de si e de sua sexuaidade, então somos todas vadias.

      Recomendo dois textos: um é meu, do ano passado (hello, jabá!) http://www.amalgama.blog.br/05/2011/por-que-ir-a-slutwalk/ E o outro é da Letícia, recém-saído do forno: http://cemmaisum.com.br/?p=72

      E fica a pergunta: o que é “libertinagem” pra vc? O que é “baderneira”? Muito cuidado com esses termos, que são carregados de pré-julgamentos. Eu tenho comigo que tudo, desde que consentido, é válido. Posso ter 365 parceiros sexuais em um ano, por exemplo. Isso é uma prerrogativa minha, porque eu sou dona do meu corpo, e desde que use camisinha e não force ninguém a fazer nada do que não queira, não há nada de errado no sexo. Isso não diz nada sobre o meu caráter.

  25. nossa, realmente, um dos seus melhores textos! bom, eu confesso q vc tem uma pá de texto bom, mas esse eu achei bem completo pq nao tem nenhum outro ponto q eu tenha pensado sobre o assunto q nao seja tratado no seu texto. lindimás! =]

  26. Obrigada!! É que do jeito que você fala parece que todo homem é um estuprador em potencial, sabe? Isso que me assusta, essa premissa. Num lar onde a educação é para todos, principalmente de moral e ética, duvido que vá desenvolver um individuo assim. Mas…como foi posto, parece se tratar de uma pré-disposição. Complicado pensar nisso, pois eu acredito que a pessoa tem uma índole “só dela”, não inerente, mas uma essência, entende? e não importa qual discurso ouça não vai alterar seu comportamento. E conheço gente que teve a maior das influências e não se corrompeu, sabe muito bem o que é certo e errado mesmo “sem discurso”, entende? Pra mim estuprador tem que ser punido (nossas leis não são severas), só conscientização me parece um tanto vago, mas, não é descartável a intenção. Novamente obrigada e se me ler e quiser apontar alguma observação, por favor. 😀

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