Que tem a ver o cu cas calça?

Padrão

Porque o jornalismo brasileiro não cansa mesmo de surpreender…

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/1103269-torcedores-do-corinthians-sao-maioria-na-parada-gay-de-sp-diz-datafolha.shtml#anc6025121

Me diz: qual a relevância de saber o time de futebol dos presentes em um evento que nada têm a ver com futebol? Com tantas outras pesquisas mais úteis que o Datafolha poderia conduzir na parada gay, por que escolher justo essa pauta?

Uma pauta como essa serve apenas para alimentar piadinhas homofóbicas velhas, bobas e sem graça, nas quais torcedores de um time acusam os torcedores de outro de serem gays — como se ser gay fosse uma coisa ruim, indesejável, inferior, jocosa. Que o jornal de maior circulação do país se preste a um papelzinho desses,  acionando o Datafolha para verificar se a piadinha procede, é uma vergonha.

É óbvio que:
a) Nem todo mundo que vai à parada gay é gay. Afinal, felizmente existem heteros não-babacas que não precisam afirmar sua heterosexualidade o tempo todo, que conseguem curtir a companhia de pessoas com outras orientações sexuais e, principalmente, que apoiam a luta LGBT por mais direitos.
b)  Existem gays e heteros torcendo para todos os times. E jogando em todos os times também. Também existem gays e heteros que não torcem para time nenhum.
c) Gostar de futebol não te faz mais homem.
d) Torcer para este ou aquele time também não te faz mais homem.
e) Gostar de mulher não te faz mais homem.
f) Ser hetero não te torna superior em nada.
g) Se você tira sarro de um amigo porque ele foi à parada ou acha engraçado insinuar que um amigo seu foi à parada, você é um idiota. E é homofóbico, SIM.

Obrigada.

Anúncios

9 responses »

  1. Queria adicionar que né, bissexualidade existe. Não que isso mude algo no post, claro… só acho importante lembrar sempre.

    Aliás, Marjorie, sou leitora antiga e saudosa. Parabéns aí por ter um ótimo blog.

  2. Gostei do seu site. Estou retomando a vida de internet, refazendo laços nos blogs, dá uma olhada no meu trabalho (http://ligialana.wordpress.com/). Fiz uma tese de doutorado (com estágio na EHESS) sobre Gisele Bündchen e Luciana Gimenez.
    Aquele texto na Folha é simplesmente ridículo, por isso q eu não leio mais jornal.

  3. Olá, moça.

    Novamente, venho pedir uma orientação através do blog.

    Tenho lido bastante sobre o feminismo, e gostaria de algumas respostas simples que rebatessem alguns mitos.

    Falo por mim que sempre lutei para me desvencilhar da imagem da “menina fútil que quer se oferecer pra qualquer garoto”, sempre fui “camarada” fazendo amizade com os guris, mostrando a intenção de ser amiga, tipo, não sou igual fulana ou ciclana da minha mente. Ultimamente lendo textos com referência a sociologia que diz que isso é imposto, que há limitações na sexualidade feminina, etc.

    Como você vê que foi criado isso da “mulher fútil, ou a mulher que faz cú doce”? (com o perdão da palavra). Durante anos carreguei comigo estes conceitos de meninas serem fúteis, chatas, complexas e contraditórias, e exatamente por isso queria me distanciar disso tudo, exatamente por me sentir diferente desse “padrão”. Do tipo que preferia ser amiga dos guris. Até hoje sobre alguns resquícios do tipo “entendo que ninguém goste de gente frescurenta, e espontaneidade seja positivo” Alguma sugestão?

    Sobre o tema do post: Lamentável que estas piadinhas ditas ingênuas se propaguem. Provavelmente é alguém querendo “desmitificar” que são os saopaulinhos os gays, como se isso alterasse ou fosse relevante. A intenção da matéria é nítida e só serve para manter o mesmo ranço. Não tem mais o que comentar.

    Formspring, é este o nome daquele site de perguntas e respostas, né? Seria tão legal se você tivesse um, eu iria parár de te importunar por aqui com temas que fogem ao assunto do post, hehe.

    Parabéns pelo site novamente e pela paciência em me ler e responder. Fique bem, abraços da leitora Juliana.

    • Oi, Juliana!

      Desculpa, só vi o seu comentário agora! Espero que vc volte por aqui pra conferir a resposta.

      Não sei se entendi o que vc quer dizer por “frescurenta”. Vc quer dizer do tipo que faz joguinho com os homens? Tipo “ter que se fazer de difícil”,ou “não revelar logo de cara o que vc quer”, “fazer a pessoa comer na sua mão”, etc? Ou vc quis dizer que faz amizade com os homens de boa sem se preocupar se vai ficar “falada”?

      Seja como for, tenho preguiça de ambas as coisas. Se fazer amizade com os caras te faz sentir bem, se essa é você, vai fundo. O lance é não forçar pra se encaixar num padrão. E se quiser ser a periguete que se oferece pra todo mundo, por que não também? É seu corpo e você quem decide o que fazer com ele.

      Espero ter ajudado… Só lembrando que feminismo não é cagação de regra (“pra ser feminista, você deve agir assim ou assado”. É justamente o contrário: é procurar perceber as normas de comportamento que são impostas pra gente, e tentar se libertar. Mas nem sempre a gente precisa fazer o absoluto oposto da norma, entende? A questão é entender e criticar quando as coisas são opressivas. No resto, vamos todos vivendo como dá.

      abs

    • Hahaha, infelizmente nasci hetera! Mas bom saber que pelo menos alguém quer casar comigo. Pq olha, tá fácil aqui não. Hahaha

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s